Lisboa cuenta con un nuevo museo municipal, el Museu do Aljube – Resistencia
e Liberdade, inaugurado el 25 de Abril de 2015.
Este museo se encuentra en la calle Augusto Rosa, junto a la catedral,
instalado en la antigua prisión de la ciudad durante la dictadura salazarista,
está dedicado a la lucha por la democracia y la libertad.
Con este museu se homenajea y reinvidica la labor de las personas que combatieron el fascismo, asi como la conservación y la divulgación de la memoria histórica del siglo XX en Portugal, entre los años 1928 y 1965 tiempo en el que funcionó como carcel política.
La historia de este edificio como cárcel se remonta a la época islámica de Lisboa entre los siglos VII y XII, teniendo después la función de prisión eclesiástica.
La cadeia do Aljube apenas fue afectada por el terremoto de 1755, la planta de la fachada fue recortada cuando se amplió la calle que la separa del lateral de la Sé lisboeta.
Durante la visita al museo, de entrada gratuita, se puede conocer
mediante paneles, contenidos multimedia, objetos y maniquís parte de cómo era
la vida de los que combatieron contra la dictadura, tanto en la clandestinidad,
como una vez apresados.
Por las celdas de esta cárcel pasaron miles de represaliados, entre los cuales hubo numerosos intelectuales aqui confinados, como António Borges Coelho, Nuno Teotónio Pereira, Fernando Rosas, Mario Soares, Alvaro Cunhal o el escritor Miguel Torga, que estuvo encarcelado 3 meses desde
diciembre de 1939 y que sobre esta experiencia escribió:
Falta-lhe a liberdade.
Só essa dor lhe dói.
Mas só por ela há-de
Não ser o ser que foi.
Do poema CANÇÃO, escrito a 30 de Dezembro de 1939 na Cadeia
do Aljube
(in Diário – I , 4ª edição revista, Coimbra 1957)
En la última planta
del edificio se encuentra una cafetería y un estrecho balcón mirador desde el
cual se disfruta de la vista de esa zona de Lisboa.
Sao Martinho de Anta, en el municipio de Sabrosa, distrito de Vila Real, es la población que vio nacer al gran escritor Miguel Torga,
uno de los más importantes autores de la literatura portuguesa del siglo XX.
Los aficionados
a la lectura de la obra de Torga pueden recorrer y conocer algunos de los
lugares citados y descritos por el escritor, como el famoso negrilho, hoy seco,
el Café Central, por desgracia remodelado, la casa de su familia o conocer los paisajes tan apreciados y glosados por
él.
Merece la pena dar un paseo por el pueblo y si hay tiempo visitar la modesta tumba de su más ilustre nativo.
También
se puede visitar el Espaço Miguel Torga, un centro de interpretación sobre la
vida y la obra del autor, donde se exponen fotografías y textos que nos ayudan
a conocer mejor la figura de Miguel Torga.
El
espacio cuenta con una pequeña tienda donde se pueden comprar libros de varios
autores portugueses, recuerdos y también piezas de la cerámica negra
tradicional de Bisalhães, declarada Patrimonio Inmaterial por la Unesco en 2016.
Página oficial del Espaço Miguel Torga
El Mirador de São Leonardo en la
Freguesia de Galafura, municipio de Peso da Regua, ofrece una espectacular
panorámica sobre el rio Douro.
Este era uno de los lugares preferidos
por el gran escritor Miguel Torga, nativo de de São Martinho de Anta, población
que se encuentra a unos 19 kilómetros del mirador.
Torga dejo testimonio escrito en su obra
de su aprecio por este magnífico paisaje.
São Leonardo de Galafura
À proa dum navio de penedos,
A navegar
num doce mar de mosto,
Capitão
no seu posto
De
comando,
S.
Leonardo vai sulcando
As ondas
Da
eternidade,
Sem
pressa de chegar ao seu destino.
Ancorado
e feliz no cais humano,
É num
antecipado desengano
Que ruma
em direcção ao cais divino.
Lá não
terá socalcos
Nem
vinhedos
Na menina
dos olhos deslumbrados;
Doiros
desaguados
Serão
charcos de luz
Envelhecida;
Rasos,
todos os montes
Deixarão
prolongar os horizontes
Até onde
se extinga a cor da vida.
Por isso,
é devagar que se aproxima
Da
bem-aventurança.
É
lentamente que o rabelo avança
Debaixo
dos seus pés de marinheiro.
E cada
hora a mais que gasta no caminho
É um
sorvo a mais de cheiro
A terra e
a rosmaninho!

«O Doiro
sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se
desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso de natureza.
Socalcos que são passados de homens titânicos a subir as encostas, volumes,
cores e modulações que nenhum escultor pintou ou músico podem traduzir,
horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis de visão. Um universo
virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela
serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se
furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu
próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta».
Miguel Torga in" Diário XII" | S. Leonardo
de Galafura, 8 de Abril de 1977
El escritor Miguel Torga era un hombre apegado a su tierra natal, muy pocos autores describen como él las regiones de Tras os Montes y el Vale do Douro, trasmitiendo una intensidad telúrica a su obra.
O sol, esse Van Gogh desumano...
E telas amarelas,calcinadas,
Fremem nos olhos como um desengano.
A cor da vida foi além de mais!Lume e poeira, sem que o verde possa
Refrescar os craveiros e os tendais
De uma paisagem mais secreta e nossa.
Apenas uma fímbria namorada,
Vermelha e roxa, se desenha ao fundo
O mosto de uma eterna madrugada
Que vem do incêndio refrescar o mundo.
"O Doiro
sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se
desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da
natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as
encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou
músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares
plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de
nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que
nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos
montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um
poema geológico. A beleza absoluta."
-Miguel Torga in "Diário XII"
DOIRO
Suor, rio, doçura.
(No princípio era o homem ...)
De cachão em cachão,
O mosto vai correndo
No seu leito de pedra.
Correndo e reflectindo
A bifronte paisagem marginal.
Correndo como corre
Um doirado caudal
De sofrimento.
Correndo, sem saber
Se avança ou se recua.
Correndo, sem correr,
O desespero nunca desagua ...